23/05/2018

2º Realização do 3º Fórum de Transparência e Competitividade, em parceria com o Sistema Fiep

No dia 21 de maio de 2018, no Campus da Indústria do Sistema Fiep, ocorreu o  3º Fórum de Transparência e Competitividade. A abertura teve a participação do diretor do Programa de Cooperação Descentralizada da Unitar, das Nações Unidas, Alex Mejia.

Para ele, corrupção não é somente roubar dinheiro, é também abusar do poder. Mejia lembrou que um dos principais Objetivos de Desenvolvimento do Milênio é o combate à pobreza, o que passa necessariamente pelo combate à corrupção. "A corrupção é demasiada cara para uma sociedade porque o dinheiro desviado deixa de ser aplicado em saúde, educação, infraestrutura e na geração de empregos", disse. Para ele, "a impunidade perpetua a corrupção. Por isso, é necessária a prisão dos corruptos e a devolução dos valores desviados".

O Estado grande demais e o atual sistema político são as principais causas da corrupção no Brasil na opinião do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luis Roberto Barroso. Para ele, os incentivos à corrupção no Brasil são muito grandes porque os riscos de punição são mínimos, o que leva muitas pessoas a adotarem condutas erradas. Barroso proferiu a palestra magna na manhã desta segunda-feira (21), no 3º Fórum Transparência e Competitividade, realizado pelo Sistema Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em parceria com o Cifal, organismo das Nações Unidas.



"Este fórum é um marco para o Sistema Fiep e para o setor produtivo. Antes da corrupção ser uma pauta nacional já estávamos nesta luta. O combate à corrupção é uma das principais bandeiras da nossa gestão", disse o presidente do Sistema Fiep, Edson Campagnolo na abertura do evento. Ele lembrou que a primeira edição do Fórum foi realizada em 2013, antes de a Lava Jato ser deflagrada. "Na segunda edição recebemos o juiz Sérgio Moro e este ano contamos com a presença do ministro Luis Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), um dos principais nomes hoje do Brasil no combate à corrupção", disse Campagnolo, acrescentando que é papel da iniciativa privada colaborar identificando e punindo práticas corruptas nas corporações.

Para o ministro do STF, é impossível debater corrupção no Brasil sem debater o sistema político. "O sistema político brasileiro está ligado ao sistema eleitoral, que é caro demais e de baixíssima representatividade", disse. Para ele, é preciso uma reforma que reduza o custo. Barroso citou como exemplo uma campanha para deputado federal num estado médio da federação, que custa entre R$ 5 e R$ 10 milhões. "Ao longo de um mandato, um deputado vai ganhar no máximo R$ 1,1 milhão. A diferença entre o que custa uma campanha e o que o candidato eleito vai ganhar é a principal causa da corrupção. A conta não fecha e esta diferença precisa ser buscada em outro lugar", disse, acrescentando que o financiamento eleitoral está na base da grande maioria dos problemas que enfrentamos hoje.



Barroso diz que a representatividade é também muito importante. "O eleitor vota em quem quer, mas elege quem não quer porque o voto vai para o partido. Menos de 10% dos deputados são eleitos por seus próprios votos. O eleitor não sabe exatamente quem elegeu e o candidato não sabe exatamente por quem foi eleito. Ou seja, o eleitor não tem de quem cobrar e o eleito não tem a quem prestar contas", disse, afirmando que o sistema político introduziu um descolamento entre a classe política e a sociedade, que não se comunicam de maneira adequada, defendendo o voto distrital misto. Segundo ele, isso permitiria que a campanha fosse feita para um número limitado de pessoas, o que barateia o processo e aproxima o eleitor do eleito, garantindo uma verdadeira representatividade. O ministro defendeu também a redução do número de partidos. "Criar partido político no Brasil virou um business porque o que motiva é o tempo de televisão durante a campanha", criticou.

Fazendo referência aos grandes escândalos de corrupção no Brasil, Barroso disse que "é impossível não sentir vergonha", mas, segundo ele, por outro lado, "temos muitas razões para nos orgulharmos porque somos um dos poucos países que tiveram a coragem de enfrentar a corrupção, abrindo as entranhas e pagando preços altíssimos para mudar o patamar ético no Brasil".

Para Barroso, o que mudou esta história foi uma certa reação de inaceitação do inaceitável. Hoje em dia, a sociedade brasileira já se deu conta que a corrupção é, em grande parte, a responsável pela má qualidade dos serviços públicos, pela dificuldade em melhorar o estado geral de vida das pessoas. "Essa energia muda paradigmas e a história para o caminho certo", frisou.

Para ele, a iniciativa privada está modificando aceleradamente a sua relação com a sociedade e o poder público. "Basta ver um evento como este", disse referindo-se ao Fórum realizado pela Fiep. De acordo com o ministro, além da sociedade e da iniciativa privada, o poder judiciário também está mudando, mas aos poucos. "A política ainda não mudou, mas vai mudar", disse, lembrando do julgamento do mensalão que, segundo ele, foi um marco, e em seguida da Operação Lava Jato. "A partir do que aconteceu aqui, deixamos de ser um país que empurrava a sujeira para baixo do tapete. Já estamos conseguindo separar o joio do trigo e isso teve seu epicentro em Curitiba, no Paraná", disse referindo à força-tarefa da Operação Lava-Jato.

Por fim, Barroso afirmou ter grande fé no Brasil. "O combate à corrupção é um caminho que não tem volta. Agora é preciso colocar as pessoas certas nos lugares certos, seguindo o critério da meritocracia e não do fisiologismo", defendeu. Nestes 30 anos de democracia no Brasil tivemos alguns avanços importantes, mas não fizemos ainda mudanças estruturais importantes. O tamanho do estado precisa ser reduzido, não estou falando de programas sociais, que são importantes. Estou falando dos 28 mil cargos em comissão e do excesso de empresas estatais. "É necessária a redução do tamanho do Estado e a reforma do sistema político", concluiu. 

 

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